Gente acostumada a sofrer
Vida simples
Macaxeira, cuscuz e batata-doce
Logo ao acordar vai comer.
Povo tosco, calado
Homens se cumprimentam entre si
(com um aceno de cabeça)
Mulheres só passam, destemunham.
Povo sem frescura, sem fricote
Fino e educado por natureza
Direto e impulsivo
Perto e distânte de coisas e lugares.
Povo que reza e crê
Povo que bebe cachaça ao amanhecer
Que pesca pra comer
Que colhe coco pra vender
Que olha pro forasteiro como ET.
Povo que vive a lei do cabra-macho
A lei da mulher resignada rendeira
Homens calados, mulheres faladeiras
Sotaques e gostos diferentes:
É forró, é brega, é baião
Bandeirola, milho e São João
Pra alegrar a quadrilha na praça.
Ano passado não teve festa em Penedo
Faltou dinheiro
O povo no rochedo
E os políticos robando como de costume.
Povo religioso vivendo sua sina
Conformado com que Deus lhe deu:
Sol, peixe, água-de-côco e o Velho Chico
Ambos, como a esperança, verde.
Ônibus lotado
Todos os assentos ocupados
Gente em pé amontoada
Feliz por poder ir
Cada um em direção a sua dura sorte.
E eu lá e cá
Sendo cúmplice da "vida de gado"
De meus compatriotas nordestinos.