Nália viu o tal
O tal moço com quem sonhava
Na Rua da Esperança, num quintal
Batendo pandeiro
Debaixo dum pé-de-côco
Num terreno de chão batido rodeado de arruda
A 700 metros de um imenso manguezal
Às vésperas de mais um Natal.
Naqueles dias iriam festejar
Com batuque, oração, feijoada (ceia) e cachaça
O nascimento de Jesus
Aquele que foi pregado na cruz 33 anos depois de nascer.
Fariam diferente
Conforme o ambiente
O sino no triângulo badalar
Ah, sim, iriam no terreiro
Dançar forró
Rodar saia de filó
Passar chapéu.
Árvore ia ter
Não pinheiro, outra
Sem vestígio de neve pra derreter
Só com bolas de enfeite coloridas.
Ave, não seria peru
Seria dum garnizé
Alimentado pra ocasião
Feito com capricho e fé.
Naquele mesmo barracão
Haveria troca de presentes
Fartura, riso, música
Para todos não ausentes
Destemunhas do amor nascente entre Nália e o tal.