Sou um aparelho. Tudo passa por mim. Meu corpo é (um) oco. O ar entra vai até as entranhas do meu útero e sai pelas minhas simétricas narinas. Os copos d'água diários decem guela abaixo pelo exófago, passam pelo estômago, rins, desembocando pelo canal urinário na terra, na vala, no vaso - pra quem tem um.
Tudo é mastigado na boca, alimento ou bobagem que transcorrem os não sei quantos metros de intestino fino e grosso até sair como bolo fecal pelo reto e pra fora pelo ânus. Isso para as pessoas desprendidas, bem resolvidas, felizes de solto ventre que ao contrário dos infesados simplesmente deixam sair.
O corpo é um aparelho cheio de buracos. Mulheres possuem sei, os homens somente cinco. Na parte superior, no cráneo, na face ambos têm orelhas - por onde entram os sons, sonidos, os barulhos, ruidos; os timbres de vozes da fala, do canto. Dos ouvidos às vezes saem cera de cores amareladas, meio laranja chegando a ser até marron (escuro).
Pela boca o trânsito é maior, incontáveis coisas entram e saem daí!
Abaixo a fêmea tem de frente para trás: o canal do xixi, o altar vaginal e o buraco chamado popularmente de cu. Já o macho nasce com uma passagem no interior de seu pinto, por onde sai o mijo e dependendo da virilidade de tempos em tempos uma explosão de gozo em champagne. Este, independente da idade, dos anos de vida também dispõe-se de um ânus.
Somos um aparelho andante, às vezes pensante, que come, bebe, chupa, fala, arrota, (que vinge que) escuta, defeca... e mais, muito mais coisas (in)definíveis de dizer. A gente sorri e comemora a vida. A gente chora e libera as emoções. E tudo segue o curso circular normal de entra e sai, de vem e vai do início ao fim - para os que pensam que ele existe!