Minhas mãos... uma das partes mais importantes do meu corpo. Com tanta gente preocupada com a bunda, a barriga, com as formas esteticamente ditas "boas"do corpo... Penso em minhas mãos, inclusive expresso graficamente o meu pensamento com a direita. Do acordar ao deitar realizo uma infinidade de coisas, trabalhos, atividades, movimentos, gestos e mais com elas. Constituídas pelo pulso, punho, cinco dedos de cada lado, unhas, ossos, músculos, nervos, tendões, vasos, pele e palmas - que podem ser lidas pelos conhecedores da quiromancia.
Desperto, desligo o despertador com o indicador direito; levanto cambaleando com a ajuda do impulso das mãos e braços contra o meu firme colchão; bebo água; me visto; escovo os dentes; esquento um leite e ponho umas colheres de cereal; preparo um lanche; pego minha bolsa; levo o mingau do pote a boca; ponho todos os apetrechos de inverno: cachicol, casaco, gorro, luvas, passo perfume eau de toillete, pego as chaves, abro a porta, tranco por fora, desço as escadas com o apoio do corrimão, abro a porta do prédio, abro os cadeados da bicicleta, sigo pedalando para o trabalho, conduzo, chego, tranco, digito o código para entrar, desço, digito de novo; tiro as roupas protetoras, guardo meus pertences no armário, os tranco lá, bebo água. No estoque ponho "labels" de segurança em incontáveis roupas. Como pão, bebo chá... escrevo na agenda.
Em casa depois de haver preparado comida. comido; coloco roupas no varau; preciono o controle da televisão. Ao escovar meus dentes depois de ter passado o fio dental; tenho a certeza de que minhas mãos são as partes mais importantes do meus corpo. O cérebro dá o comando e elas realizam: pegam, dobram, seguram, soltam, fazem sinais, escrevem, lavam, dobram, fecham, abrem, limpam, plantam, cortam, colocam, massageiam, apontam, tocam...
Minhas mãos estão cansadas. Preciso repousar e poupá-las pro dia de amanhã. Um raio de luz chega à minha consciência.
Me dou conta de que não preciso de bunda empinada, nem de barriga "taba", mas sim e sempre de mãos sadias para que eu possa conquistar os meus desejos por mais banais que eles sejam. Apago a luz!